Domingo, 6 de Abril de 2008

(in)Dignidade feminina

 
 
Toda a vida ouvi amigas, de todas as idades, e até pessoas mais próximas, dizerem que gostavam era de homens malandros, coisa que me arrepiava a alma. Uma coisa é gostarem de homens com bom aspecto e inteligentes, outra coisa é dizerem que “aquele tem mesmo cara de sacana, que giro!” Sabiam de antemão que iriam sofrer, sabiam que aqueles homens não conseguiriam estar sossegadinhos num sitio, mas mesmo assim, atiravam-se de cabeça. O resultado variava pouco…
 
Mais grave do que isso, são os casos de abuso psíquico e físico, que nós da metrópole, achamos que só acontecem lá nos confins do país. Enganamo-nos redondamente. Isso acontece debaixo do nosso nariz. Infelizmente já oportunidade de conhecer várias mulheres que se sujeitaram a isso, dizem até que têm medo deles, mas para minha surpresa dizem também… “ainda gosto muito dele e quero reconquista-lo”. A minha reacção continua a mesma. Sinto um choque de tal forma que bloqueio que fico sem palavras…
 
O que se passa com estas mulheres? – Sim, também há abusos de mulheres a homens, mas a aqui não é exercida cobardemente a força física.
 
Tem que haver nestes casos um grave problema de auto-estima, um medo da solidão doentio! Só pode! Como é que se pode amar alguém que nos maltrata?!? Isto nada tem a ver com Amor, NADA!
 
Há casos em que a situação é especialmente grave, porque há dependências financeiras, há filhos, às vezes até doenças, mas as mulheres que conheci são completamente jovens, independentes, algumas licenciadas e aparentemente saudáveis.
 
Que grande confusão há por este mundo afora acerca desse sentimento tão sublime que é o Amor. O Amor tem que começar por nós mesmos. Já estamos cansados de ouvir dizer que, senão nos amarmos a nós mesmos não podemos amar ninguém, nem podemos ser amados como merecemos, mas daí a integrarmos esta verdade tão repetida é que está o busílis.
 
É triste esta realidade. É tão triste vermos como as pessoas se maltratam, se amesquinham, se desprezam, se abandonam…
O que é feito da nossa dignidade?? O que é feito do brilho da nossa Centelha Divina?? Todos, sem excepção a temos! Porque é que não queremos o melhor para nós próprios?!? Porque é que nos contentamos com pouco? Tivemos infâncias difíceis? Conhecemos vários casos de pessoas bem-sucedidas que também tiveram e mesmo assim venceram, não ficaram agarradas a isso! Esta é uma falsa verdade. Isso é uma grande desculpa para não fazermos o que devemos fazer.
Quando um dia dizemos, ”Ah, vou lutar para quê?”, já estamos meios-mortos!
sinto-me: zangada
publicado por esferafeminina às 21:41

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24 comentários:
De batistinha a 7 de Abril de 2008 às 12:36
Cara Vera,

O abuso é uma teia, tira-nos o amor-próprio, a auto-estima, esgota-nos e isola-nos. A vergonha fica do lado da vítima. Disfarçamos, pomos base nos olhos negros.

Sou licenciada, tenho emprego estável, mas isso só aumenta a vergonha.

A mudança é dura e assusta e por isso ficamos naquela ligação, na dependência.

Escreva sobre isto, mas não julge as mulheres. Já levamos tanta coisa nas nossas costas. Uma mulher vítima de violência precisa de apoio e de um catalizador. A teoria já a conhecemos toda.

Ainda hoje tenho medo. Tenho outra casa, outro companheiro, outra vida e ainda tenho medo.

Fico sempre à espera da crítica, da menorização, mesmo se não da agressão.
De esferafeminina a 9 de Abril de 2008 às 23:17
Querida Batistinha,
peço descuipa se soou a critica, gostava que tivesse soado mais uma injecção de força e de motivação... Às vezes de tanto querer transmitir coragem posso dar a ideia errada.
Só gostava que fossem vislumbradas todas as alternativas, só isso...
Um forte abraço
De batistinha a 10 de Abril de 2008 às 12:58
O que acontece é que de tanto as pessoas nos dizerem que não é admissível, que não pode ser, nós, que até estamos a aceitar o inaceitável, ficamos com uma auto-estima ainda menor. Agora, quando tento falar do assunto, as pessoas calam-se, sempre fingimos todos que não acontece.

Mas vá falando, basta uma pessoa se decidir que já mudou o mundo.
De fatimacopio@sapo.pt a 7 de Abril de 2008 às 13:49
Mulher

Mulher ergue a cabeça e caminha,
Abre o teu coração e sê tudo aquilo,
a que tens direito,
Vive a tua vida,
A vida que a Deusa/Deus te concedeu.
Não admitas jamais,
Que não tens direito de ser feliz,
Que qualquer outro ser humano é superior a ti,
Alimenta a Centelha Divina que em ti existe,
Sê tudo aquilo e mais alguma coisa,
Em todos os dias que por ti passam.

Mulher caminha, contorna, apanha todas as pedras que encontras,
Faz dos teus sonhos um castelo,
Mas jamais olhes para trás,
Sob o risco de virares uma estátua de sal.

Mundo Louco, Solidão, Crises, Problemas,
Não são desculpas,
Por não lutares por um dia melhor,
Por um amor Digno, Verdadeiro,
Que te "complete",
No lugar de te mutilar.

Mulher luta, ergue o teu amor próprio,
Acredita em ti,
Cria forças para te libertares,
Para seres tu,
E apenas tu a responsável,
Pela tua alma, pela tua evolução, pelo teu destino.

Mulher não curves a cabeça,
Por um sentimento que julgas nobre,
Não quebres, não magoes o teu coração,
Não te enganes,
Ao pensar que podes mudar os outros,
Isso nunca vai acontecer,
Se o outro não o quiser,
Se o outro não tiver como valor,
Respeitar-te como Igual.

Fique Bem,
Fátima
De esferafeminina a 9 de Abril de 2008 às 23:22
QUE LINDO, FATIMA!!!
É tudo isso, sim: RESPEITO POR NÓS PRÓPRIOS, sejamos mulheres ou homens. Olhemos ao espelho com orgulho, mas nao das curvas bonitas mas do brilho dos nossos olhos!
Nao despareça Fatima, que eu já nao vivo sem as suas mensagens!
De fatimacopio@sapo.pt a 18 de Abril de 2008 às 17:32
Ai esses apegos Vera!
De Anónimo a 7 de Abril de 2008 às 15:40
Um certo homem plantou uma rosa e passou e regá-la constantemente e antes que ela desabrochasse, ele a examinou.

Ele viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou: "Como pode uma bela flor vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?" Entristecido por esse pensamento, ele se recusou a regar a rosa e, antes que estivesse pronta para desabrochar, ela morreu.

É assim com muitas pessoas. Dentro de cada alma há uma rosa: as qualidades dadas por Deus e plantadas em nós crescendo em meio aos espinhos de nossas faltas.

Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos. Nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nós, e, conseqüentemente, isso morre. Nós nunca percebemos nosso potencial.

Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas; Alguém mais deve
mostrá-la a elas. Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas.

"Parábola da Rosa
Esta é a característica do amor, olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras faltas. Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.

Se nós mostramos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus espinhos. Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes."
À certas mulheres que não conseguem libertar-se de certos espinhos nas suas vidas umas porque não querem outras porque não podem, não sei o que é pior. Mas ser mulher ha~de ser sempre uma grande dádiva, beijinho doce, amiga
De esferafeminina a 9 de Abril de 2008 às 23:26
Sem duvida, minha querida.
Adoro ser mulher, mas foi uma luta até dizer isto com esta certeza.
É uma dadiva, sim!
Obrigada pelo seu lindo texto.
De Alex a 9 de Abril de 2008 às 01:27
Oi, Vera! O Clementino nos mostrou seu vídeo de entrevista no Sapo. Parabéns pelo caminho bem traçado como taróloga!

Beijos do Brasil,
Alex e Liza
http://www.contido.com.br
De esferafeminina a 9 de Abril de 2008 às 23:28
Oi Liza e Alex, que surpressa boa!
Espero que esteja tudo bom com voces tambem!
Em Novembro devo ir ai... já tenho muitas saudades da minha familia do coração e daquela esplanada np Praia Shopping
Obrigada pela vossa visita.
Bjs de Lisboa
De Ana Alves a 9 de Abril de 2008 às 08:51
Brilhante texto! Agora percebi o problema! Mas as pessoas só toleram o que querem né? E não há "é complicado", como no outro texto que a Vera também escreveu. Não pode haver. Só quem tem a luz de acreditar em si é que não tolera determinadas situações. De quem é a culpa? Se calhar é dos dois, não? Da parte do espiritualmente vazio que provoca a dor e, da parte da espiritualmente apagada que tolera a dor. Acha Vera? Cada vez ADORO mais lê-la! :D Um Bem Aja para si!
De esferafeminina a 9 de Abril de 2008 às 23:32
Nem sempre é assim fácil... Nem sempre é assim linear... Que os Deuses nos livrem de passarmos por uma situação destas.
Obrigada Ana Alves volte sempre!
De Maria a 9 de Abril de 2008 às 18:16
É bem verdade tudo isso, vejo por mim que me apaixonei perdidamente por um homem, um Senhor, lindo, meigo, simpatico, compreensivo, enfim um homem de sonho. Engravidei e esse homem de sonho desapareceu. Humilhei-me vezes sem conta para que amasse o filho, que é lindo como um anjo ( e como ele ). Nunca quis saber dele... até que disisti e cheguei à conclusão que afinal na passa de uma pessoa cruel e egoista. Não imigina o filho que ele perde, mas a vida é mesmo assim. Continuo a minha vida com o meu filho e tudo farei para que seja feliz...
De Ana a 21 de Abril de 2008 às 00:40
Minha Querida Maria
Esqueça esse homem no que ele a feriu; recorde o que aprendeu por ele ter surgido na sua vida. O registo maior é o seu filho. Entendo-a muito brem, acredite, no que pode passar em termos de solidão e fragilidade. Mas há-de vencer, porque já venceu uma enorme perda: um amor desiludido. Um enorme beijo e muita saúde e alegria para o seu filho.
De sniqper a 11 de Abril de 2008 às 13:20
Olá Vera,
Belíssimo texto e que dispensa muitas palavras como comentário, simplesmente pela forma como está escrito, claro, reflectivo e conclusivo.
Resta-me como se diz...
Assino por baixo concordando em absoluta que anda por este mundo muito zombie... leia-se "meios-mortos".
Beijitos
De esferafeminina a 13 de Abril de 2008 às 23:41
Beijitos sniqper
De Luis a 13 de Abril de 2008 às 22:19
Gostei do texto e concordo consigo mas todos nós temos um caminho a percorrer e, por muito que nos incomode (e a mim incomoda-me muito) estas posturas de mulheres aparentemente "independentes", terão que ser as próprias a criarem "coragem" para a sua mudança...
Infelizmente procuram fora delas próprias o que já transportam dentro de si e, poderá residir aí principal dificuldade...
O primeiro passo será o de perceberem o verdadeiro significado da palavra AMOR....


De esferafeminina a 13 de Abril de 2008 às 23:42
Sem dúvida, Luía.
Obrgada pelo seu conytibuto.
De Dita a 14 de Abril de 2008 às 20:58
Leio sempre que me é possível os seus textos, de que muito gosto!
Sou também uma licenciada que amei e me deixei humilhar! Não me pergunte como mas foi acontecendo e acho que do amor se passou a essa dependência que se comenta. Agora entendo visto a uma pequena distância de temporal! mas pensei que era apenas um Amor que não mais esqueceria! Fez-me bem ler testemunhos de outras pessoas que não conheço e que falam sem intenções.
Obrigada por este espaço de conversa
De esferafeminina a 17 de Abril de 2008 às 01:44
Obrigada Dita, por também partilhar a sua experiencia, e fico feliz por já estar a essa distancia da situação.
Força!
De Claudia Arnault a 17 de Abril de 2008 às 21:10
Um bem haja a todos os leitores deste site. Andava curiosamente e ler estes comentários, bastante interessantes e num tema sempre na ordem do dia. Sou uma mulher bastante independente e acarto toda essa responsabilidade e respectivas consequências. Tenho uma relação fantástica com um homem igualmente independente. Considero a independência individual uma característica imprescindível para as sociedades modernas. Acontece que esta independência individual em nada choca com uma relação, quando existe maturidade claro. Quando se fala em independência, dever-se-ia falar em autonomia, um ser adulto autónomo que não precise de papás e mamãs para dar um passo, é uma vantagem, penso eu de que. Já tive relacionamentos no passado com pessoas menos dependentes (leia-se menos autónomas) e quando dava por mim, tinha que tomar conta delas para o que fosse, ora não pretendo ser mamã de homens adultos, por mais ternurenta e romântica que possa parecer a ideia. Entre duas pessoas autónomas apenas sobra uma coisa: o amor, se estão juntas é porque o querem mesmo desvirtuadas de qualquer outro interesse, não precisando um do outro para fechar traumas passados, não colocando no outro toda a responsabilidade de um passado herdado, não cobrando mas sim compreendendo. Lamento discordar do comentário que li sobre as 'mulheres independentes', considero-me como tal e nas verdadeiras mulheres independentes, as coisas não se passam como referiu, talvez nas pretensas.
De Artur Vieira a 17 de Abril de 2008 às 21:01
Permitam-me inserir um comentário numa área feminina. Pude reparar o esforço em estabelecer um padrão de comportamento correcto, pois é! Sempre racionais. E quando se ama não é com um sentimento? É verdade, há realidades passionais no mínimo bizarras, eu até diria escandalosas, racionalmente não parece fazer sentido...apenas porque insistimos em explicar o que nunca teve explicação. É maravilhoso sentir, ainda que isso nos custe o rótulo de idiotas. Com a experiência, aprendemos (infelizmente) a sentir menos e a pensar mais, e conseguimos (alguns) encontrar algum equilíbrio saudável numa relação. Mas...seres humanos que gostam de seres humanos, não condenem quem 'sente mais e pensa menos', considerem apenas que está num patamar de evolução diferente do vosso e dêem a mão para ajudar e levar para o vosso patamar. E para pessoas que 'sentem mais e pensam menos' para que insistem em teorias, tentem ensinar...por sentimentos! Tenho boas experiências disso! E resulta...
De Ana a 21 de Abril de 2008 às 00:31
Sobre o Amor acho que hoje em dia existe uma palavra dominante: EGOISMO . Ou elogio aos prazeres do sexo puro. O amor foi substituído pelo sexo. O corpo passa a ser tratado como um "parque de diversões". É triste? Talvez. Mas é também a maior realidade dos nossos dias.
Os que querem esperar pelo Amor, esperam. Sozinhos, com coragem mas ... o tempo vai passando e não volta. Enfim...

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Quem sou eu

Desde sempre procurei respostas para as discrepâncias sociais e outras, existentes no mundo. Ainda continuo à procura, apesar de já ter uma vaguíssima ideia do que pode estar por detrás das aparentes desigualdades. Os Deuses não são injustos, o Universo tem uma Ordem que está para além do nosso entendimento. Tudo tem um sentido Maior. Os Deuses esperam-nos.

Acerca de mim

Vera Xavier
Taróloga desde 2002, trabalha como Terapeuta de Desenvolvimento Pessoal, Reiki, Cura Quântica e Leitura da Alma. Ministra cursos de Meditação, Tarot e Reiki Magnificado.

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Consultas de Tarot e Desenvolvimento Pessoal
Terapias de Reiki e Cura Quântica
Cursos de Reiki Magnificado e de Meditação (mensais) Rua Tomás Ribeiro, 45 - 7º, esquina com A. Fontes Pereira de Melo, Lumiar, Lisboa geral@veraxavier.pt Telefones: 931168496 www.veraxavier.com Vera Xavier

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