Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Uma questão de gentileza

Um dia destes fui à praia, e como já vai sendo habitual estava ventoso. No grupo havia só um homem que por sinal eu não conhecia. Na hora de tratar do chapéu-de-sol, a luta travada foi, como devem imaginar, difícil, mas eu persistente lá fui fazendo o meu melhor. O dito “cavalheiro” nem se mexeu donde estava. Tudo bem. Bom, achei que tinha conseguido e deitei-me satisfeita na minha toalha. Claro que veio uma rajada de vento mais forte e o chapéu voou para longe, quase provocando um acidente com o vizinho do lado. A reacção instantânea de todos, ou melhor de todas, foi levantar-se para ajudar, afinal é quase uma reacção instintiva, não é? Não. Todas se levantaram, menos o rapaz.

 

Digo muitas vezes que nada mais me choca, mas é mentira, continuo a surpreender-me com muitas situações e esta falta de gentileza e de educação, arrepiou-me até à alma. Eu, como mulher, ter-me-ia levantado na hora, mas ele ficou impávido e sereno deitado na sua toalhinha! Não me pareceu que fosse rudeza, ou maldade da parte da pessoa, apenas uma indiferença inacreditável do género: “não é nada comigo!” Mas ele estava no grupo!

 

Há uns anos atrás subia eu o Chiado quando uma grávida, que ia a uma distância razoável de mim, escorregou e caiu. UMA GRÁVIDA! Sabem quantas pessoas de aproximaram para ajuda-la?! Nenhuma! Repito: uma mulher grávida.  

 

O que é que se está a passar connosco?! Isto é alheamento? Indiferença? Má educação? Maldade? Porque é que cada vez menos nos preocupamos com os outros? Quando é que começou este processo? Sempre houve gente assim? Sim, é bem verdade, mas seria quase a maioria como é agora? Porque a verdade é que parece que as boas pessoas, as pessoas que se preocupam com os outros – mesmo com os desconhecidos -, são uma parcela muito pequena da nossa sociedade.

 

Dantes segurávamos as portas uns aos outros, agora já não é tanto assim. Dantes dizíamos “bom dia” e as pessoas respondiam e desejavam-nos um bom dia também, agora ostensivamente, ficam caladas. Às vezes repito o cumprimento mais alto, um pouco para testar até onde vai a falta de educação, e as pessoas não retribuem! Ostensivamente! Claro que volto costas e saio, mas acontece muitas vezes, demasiadas vezes.

 

Pergunto, estará a boa educação em vias de extinção? Estará gentileza fora de moda? A bondade está! Mas a gentileza também? É para aí que caminhamos?!

 

Muitas vezes, ouço crianças e adolescentes a falarem com os pais de uma forma absolutamente inacreditável! Acho que nem com os colegas falam assim! Impacientam-se, insultam, agridem… e os pais ficam-se, meio envergonhados, mas ficam-se! Mas nestas relações – pais/filhos - outras questões há intrínsecas.

 

Quero de volta os cuidados uns com os outros! Quero de volta o abrir das portas dos carros e não me interessa que os carros tenham fecho centralizado! Quero de volta os sorrisos a estranhos e os “bons dias” quentes e sentidos! Não vou desistir, não vou ceder à esmagadora maioria, não vou mesmo!

 

“Nunca é cedo para uma gentileza, porque nunca se sabe quando poderá ser tarde demais.” Emerson                                              

 

sinto-me: Casmurra!
publicado por esferafeminina às 03:59

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20 comentários:
De O Gato a 28 de Julho de 2009 às 10:29
Olá
Passei e parei. Chamou-me a atenção o teu texto, realmente cada vez mais me apercebo que as pessoas são além de mal educadas só pensão no seu Umbigo.
A todas essas pessoas só espero que um dia não precisem realmente de uma mão ou de uma pessoa para os ajudar.
São egoístas e nunca pensão nos outros. Eu tento sempre ajudar os outros no que posso nunca se sabe se um dia eu preciso de ajuda.
Acho que os portugueses sempre foram assim egoístas.
Bj passei
De eva a 29 de Julho de 2009 às 00:02
De facto, há gestos tão simples q podem fazer a diferença... e não custam nada. Também me incomoda essa indiferença quando as coisas estão mesmo àfrente dos olhos...
(Mas tb a mim me passa muita coisa ao lado...)
De Maria Silva a 29 de Julho de 2009 às 10:33
É uma verdade indescutivel, a sociedade portuguesa esta a perder valores, educação, etica...quase tudo.
Eu vivo num meio pequeno, onde as pessoas ainda se cumprimentam, principalmente os mais idosos, mas há de tudo, tenho uma visinha que mora no mesmo predio que eu à quase 10 anos e passa pelos visinhos sem nunca lhe dirigir a palavra, às vezes meto-me com ela só para ver a reação, mas não sai nada.
Sou uma pessoa que gosta de ajudar os outros, mas já me tem corrido menos bem, por vezes as pessoas não gostam ou não querem, penso que tem medo, desconfiam de quem se aproxima.
O melhor é sempre perguntar, quer ajuda, posso ajudar, precisa de ajuda, e é evidente só podemos ajudar quem quer ser ajudado.
De Voz do vento a 30 de Julho de 2009 às 09:24
A vida exige de nós uma atitude proactiva.
Somos agricultores que recebem apenas as sementes do amanhã, precisamos aprender a plantá-las, cultivá-las, colhê-las.

É mais uma verdade indestrutível....

Voz do vento...
De Shushan a 30 de Julho de 2009 às 09:33
Olá
Vim só trazer uma luzinha a este texto, que embora tenha muita verdade eu venho contar algo que me marcou a ainda me emociona.

No carnaval em sesimbra , no meio de tanta folia e alegria houve uma situação que me fez esquecer que estávamos ali para nos divertir e fui para o WC chorar...tentar aliviar aquilo que me ia no coração, estava lá uma rapariga completamente estranha que me perguntou se eu estava a chorar e que me abraçou.. não esperava tal atitude e fiquei ainda com mais vontade de chorar mas acho que de alegria...ela fez me perceber que eu era especial e que ninguém merecia as minhas lágrimas , ainda hoje nos encontramos na rua muito de vez em quando e ainda nos perguntamos como estamos.
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Olá <BR>Vim só trazer uma luzinha a este texto, que embora tenha muita verdade eu venho contar algo que me marcou a ainda me emociona. <BR><BR>No carnaval em sesimbra , no meio de tanta folia e alegria houve uma situação que me fez esquecer que estávamos ali para nos divertir e fui para o WC chorar...tentar aliviar aquilo que me ia no coração, estava lá uma rapariga completamente estranha que me perguntou se eu estava a chorar e que me abraçou.. não esperava tal atitude e fiquei ainda com mais vontade de chorar mas acho que de alegria...ela fez me perceber que eu era especial e que ninguém merecia as minhas lágrimas , ainda hoje nos encontramos na rua muito de vez em quando e ainda nos perguntamos como estamos. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Nao</A> percamos as esperanças...um beijo enorme <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Shushan</A> <BR><BR>
De abelha-maia a 31 de Julho de 2009 às 00:17
Percebo a tua indignação...mas vamos ver por outro lado. Se não conhecias o rapaz ele tb n te conhecia... se tiveste dificuldade em espetar o dito chapéu de sol, pq não pediste ajuda às outras pessoas do grupo? Sabes se ele estava ali por gosto ou contrariado? Será ke ele estava bem? Digo isto pq apesar de eu ser uma pessoa sociável, depois de ler este post meditei sobre o assunto e dei por mim a rever alguns dos meus actos. E descobri ke por vezes estou tão absorvida nos meus míseros problemas ke acabo por não ver as necessidades dos outros... Isto não desculpa determinados comportamentos como não ajudar uma grávida...mas será ke era para ajudar? Será ke esse elemento masculino não será uma excelente pessoa mas simplesmente não estava com a melhor energia...Porque é ke não pediste ajuda? As outras moças foram a correr para te ajudar pq ? Será ke elas kerem ajudar verdadeiramente ou é para te agradar? Peço desculpa com este comentário, até pq n conheço a situação e n a senti. Um grande beijo e boa praia
De Miss G a 31 de Julho de 2009 às 08:38
Também sou da opinião que infelizmente nos deixamos cair nessa falta de educação , mas percebo em parte a razão embora não a defenda. Criou-se um vício de certas pessoas se aproveitarem da boa vontade de outras em seu favor sem qualquer respeito. Talvez haja algum receio em nos darmos aos outros.
Infelizmente também já vivi muitas dessas situações que tendem a deixar-me muito triste e decepcionada .
De Susana a 1 de Agosto de 2009 às 23:58
...this is dificult, be kind. Estas foram as palavras finais dó belíssimo discurso de Leonard Coen no memorável, inesquecível concerto da passada quinta feira. e todos nós sabemos que 'palavras...leva-as o vento?...mas ele pratica o que prega e foi de uma gentileza quase absurda com o público, com os músicos da banda, com as cantoras do coro, com todos. Para tosos os que procuram essa 'gentileza perdida' vejam o concerto do Leonard Cohen...ao vivo, de preferência, senão, o de Londres está a venda na FNAC por menos de 15€
De Gabriela a 3 de Agosto de 2009 às 12:37
*risos* ... encontrei-a! Fui eu que lhe telefonei aqui há dias... a dizer que, durante o meu dia infernal, a única pausa que tenho e que me dá alento é lê-la no "Metro".
Quinta-Feira, descobria-a no Sapo. Hoje descobri o seu blog. Sou teimosa :)
Um abraço Vera...que continue com a sua postura a dar-me(nos) algum alento.
Gabriela
De C!rano a 7 de Agosto de 2009 às 02:53
Boa noite Vera...

Confesso que partilho a sua revolta!

No outro dia fui fazer um serviço que ficava n'uma rua para lá do fim do mundo.tinha dois muros tão apertados que tive de recolher os dois espelhos e avançar a dez á hora até desembocar n'uma casita apodrecida pelo tempo.
Quando cheguei,um senhor de idade começou a tratar-me mal dizendo que estava á espera há meia-hora e que a sua mulher estava mal disposta.
Eu sou capaz de pensar como a "Abelha Maia" e sei que,para quém tém um ente querido em sofrimento,cinco minutos parecem meia-hora,porque a dor retarda o tempo.e o homem(que tresandava a angústia)muito possivelmente não saberia viver sem a mulher.Por isso..,lá levei a senhora ao hospital debaixo de impropérios que só dificultavam a minha acção.
Foi tudo tão rápido que só quando regressava comecei a pensar e a digerir toda aquela situação.
Estou mesmo a equacionar a hipotese de largar os Bombeiros.
Pense comigo Vera..,
..,e as pessoas que eu Amo?e se algo lhes acontecêsse enquanto naufragava por aquela viela estreita?não estaria eu longe demais para lhes poder acudir?e para quê?para regressar a casa e trazer a farda suja de medo em vez de esperança?
Hum..!acho que não Vera!
Todos nos podemos distrair,enervar ou enganar mas,ainda assim,todos continuamos a ser responsaveis pelas nossas atitudes,independentemente dos males que nos assolem.como tal..,se o cavalheiro é activo deve saborear o mel da sua admiração.se o cavalheiro é passivo deve sentir o quão denso é o ar do seu desprezo.

Tenho uma palavra de coragem para lhe dar porque sei que os cavalheiros existem,assim como as pessoas que ajudam mulheres grávidas.apenas não foram á praia nesse dia.

Aquele abraço de sempre...

C!rano
De esferafeminina a 7 de Agosto de 2009 às 14:12
Entendo a sua (quase) decisão, C!rano, mas... e aqueles que ainda vai salvar? E o conforto todo que ainda tem para dar? O olhar carinhoso, o toque sentido de um "estou aqui"...

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Quem sou eu

Desde sempre procurei respostas para as discrepâncias sociais e outras, existentes no mundo. Ainda continuo à procura, apesar de já ter uma vaguíssima ideia do que pode estar por detrás das aparentes desigualdades. Os Deuses não são injustos, o Universo tem uma Ordem que está para além do nosso entendimento. Tudo tem um sentido Maior. Os Deuses esperam-nos.

Acerca de mim

Vera Xavier
Taróloga desde 2002, trabalha como Terapeuta de Desenvolvimento Pessoal, Reiki, Cura Quântica e Leitura da Alma. Ministra cursos de Meditação, Tarot e Reiki Magnificado.

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